quinta-feira, 5 de novembro de 2015

GELSON defende mais áreas de lazer em FORTALEZA





"Toda vez que subimos aqui a esta Tribuna, senhor Presidente, fazemos isto com algumas esperanças. A primeira é de que possamos passar o que pensamos e o que queremos que as pessoas compreendam da melhor maneira possível. 

A segunda esperança, senhor Presidente, é de que o máximo de pessoas, e não somente quem está neste recinto, sejam alcançadas pela nossa mensagem. E para isto, contamos com a possibilidade da imprensa pautar o que falamos aqui, ou seja, que o profissional da imprensa, os jornalistas e radialistas que fazem a cobertura da Câmara, possam fazer ecoar o que falamos. 

A terceira esperança, esta mais difícil de alcançar, por uma série de fatores como a vaidade, a incapacidade de aceitar opinião contrária ou mesmo o desdém, é a de que os gestores nos escutem. Eu digo os gestores de uma maneira geral. Seja o próprio prefeito, o governador ou seus auxiliares, os nobres secretários.

Ninguém sobe nesta Tribuna à toa. Pelo menos eu penso que não deveria fazer isso.

Eu quero aproveitar o meu espaço de hoje, senhoras e senhores, para fazer repercutir uma matéria que foi veiculada na imprensa, e que tem haver com uma série de pro nunciamentos que já realizamos aqui desta Tribuna. Eu falo da quase ausência de opção de espaços públicos adequados para a nossa juventude e para a população de um modo geral.

Todo mundo tem uma fórmula muito boa para como enjaular os nossos jovens. De como devemos tomar o seu tempo. Do tipo de punição que devemos aplicar aos infratores, etc. E não precisa ser um expert para perceber que nada disso tem dado resultado no combate à violência. E a matéria do Jornal O Povo traz de forma até lúdica as expectativas que esses jovens tês dos espaços que lhe são oferecidos. Mas o que a matéria não traduz, é que esta é uma angústia sofrida pela maioria da população, que nas últimas décadas, viu seus espaços de convivências serem reduzidos à quase nada.

Se fizermos uma rápida tomada de informações, vereamos que as nossas praças foram invadidas pelo abandono, pelo tráfico e pela violência. Não é à toa que os shoppings centers, sempre lotados, têm se transformado numa espécie de habitat mais seguro para quem quer simplesmente passear.

Quem aqui neste recinto se sente à vontade para fazer uma caminhada numa praça, em qualquer dia da semana? Curtir os espaços públicos sem a preocupação de ser assaltado, aviltado em sua dignidade, tem sido cada vez mais difícil. 

Já sei, temos a Beira Mar, quando ninguém é esfaqueado, baleado ou assaltado. Mas pelo menos tem a presença da polícia e da Guarda Municipal. Aí temos algumas praças da Aldeota. Uma única praça ali no Papicu; o passeio público aos finais de semana e a trilha do Parque do Cocó, vigiada pela polícia ambiental.

Talvez tenha me escapado algum espaço, de forma isolada. Mas quando se parte para a periferia, temos um desastroso contraste, que talvez não seja do alcance do Poder Público. As praças dos bairros são territórios quase desertos, ocupados por quem quer beber ou consumir drogas. São espaços demarcados para que as famílias não as utilize.

Afora o estado de conservação, a maioria caindo aos pedaços, como as praças do bairro José Walter, que não vêem reforma há muitos anos, a violência simplesmente espantou as pessoas.

Não só os jovens, mas as famílias de uma forma geral.

Aumentamos o contingente da Guarda Municipal, mas ainda insuficiente para cobrir todos os espaços públicos. Mas isto não é desculpa para não termos presença algumas do Poder Público nesses espaços. A população se sente mesmo abandonada, principalmente na periferia. Esta é a realidade.

Eu faço aqui um apelo ao Prefeito Roberto Cláudio, para que olhe para as praças da periferia. Olhe para as praças da Regional V e VI, principalmente. Olhe para o CSU Adauto Bezerra, que vive com placas de reforma, mas parece que o dinheiro não chega ou não tem ninguém olhando, sendo aquela casa mal assombrada há décadas.

Não fosse os espaços de convivência para a juventude implantadas pela gestão anterior, quando a Prefeita Luziannne construiu os CUCAS, não haveria para onde o jovem ir.

As areninhas são muito boas, mas se não tiver vigilância e segurança, daqui há pouco não passarão de lotes disputados pelo tráfico. Não dá pra continuar falando em bem estar social e simplesmente deixar de estar presente nos bairros.

Não adiantam as obras fantásticas, se as pessoas continuarem aterrorizadas com a violência, sem opção.

Eu chamo a atenção do Prefeito Roberto Cláudio para estas questões, porque talvez ele não saiba mesmo o que está acontecendo com essas Regionais. 

Lá na Messejana, por exemplo, a comunidade ali do sangradouro da Lagoa, aguarda por uma escadaria há uns 10 anos. Já colocamos recursos no orçamento, já realizamos todo tipo de reunião e articulação. E só ouvimos que aquilo "é uma bobagem", "é barato", que "vamos fazer", e por aí vai. Mas eu estou começando a achar que a obra não vai sair porque alguém na Regional VI acha mesmo que é barata. Então, não deve valer à pena.

Escadaria, praça, parque, CSU. Tá tudo esperando. 

E eu tenho a coragem de agir para esta gestão como aliado e não alienado. Prefiro ser franco com o Prefeito e dizer o que não está funcionando do que ficar mostrando as maravilhas daquilo que não chega diretamente para a população.

Por enquanto é tudo, senhor Presidente.

Obrigado".