quarta-feira, 12 de agosto de 2015

"AINDA NÃO CAIU A FICHA SOBRE COMO PREPARAR O TURISMO".




GABINETE DO VEREADOR GELSON FERRAZ – PRB
Pronunciamento em 11/08/2015 – GRANDE EXPEDIENTE – 15’

Senhor Presidente,
Senhoras e Senhores Vereadores,


Eu quero começar o meu pronunciamento de hoje, lendo um trecho de uma carta. Ela diz o seguinte:

“Eu sei que a maioria das pessoas que conheci em Fortaleza é boa, somente algumas áreas são perigosas. Não é a minha primeira viagem ao Brasil com minha mulher, brasileira, mas foi a minha primeira viagem a Fortaleza. Eu pensei que às duas da tarde de um domingo eu podia caminhar pela calçada da praia, em frente a prédios e restaurantes. Eu estava errado. Ser assaltado era a última coisa que eu esperava no Brasil".

Nem preciso dizer que esta é uma parte do desabafo feito pelo turista americano Bill Weyne, que foi alvo de uma covarde agressão na Av. Beira Mar.

Não quero requentar o assunto, senhor Presidente, até porque alguns órgãos e entidades ligadas ao turismo fazem questão de empurrar o assunto para debaixo do tapete, como forma de tentar preservar a imagem da cidade.

Mas eu digo, senhoras e senhores, que Fortaleza tem que subir de patamar. Nós temos que imaginar uma cidade que realmente possa estar imersa no atendimento ao turista, reconhecendo que esta é sim, a nossa principal fonte de riquezas. Que esta é a base de nossa economia.

Os prejuízos causados pelo que aconteceu ao turista americano em solo turístico de Fortaleza, ou seja, no cartão postal da cidade, é algo que ainda vai repercutir muito lá fora. Enquanto aqui a vida segue normalmente, em meio à barbárie, a nota negativa a ser difundida em outros países ainda vai persistir durante muito tempo.

O que temos de ter em mente; e o que não canso de repetir nesta Casa, desde que assumi a bandeira da defesa do turismo, é que Fortaleza precisa dessa atividade para seguir em frente.

Não somos uma cidade de base econômica rural. Não temos um grande parque industrial. Não somos o grande centro financeiro do mundo. Nós somos uma cidade turística.

Mas parece que é difícil incutir isto na mente privilegiada de algumas autoridades. 

Como assim, as duas da tarde não tinha uma viatura na Av. Beira Mar?

Como pode não termos dado a assistência devida aquele turista, que representa muitos outros que já foram assaltados, esfaqueados, espancados, trucidados, enquanto proviam a economia da cidade?
 
Como explicar que o turista agredido foi socorrido de táxi para uma UPA, porque os nossos serviços de apoio e atendimento de urgência são uma piada?

Como explicar a um turista, que temos um posto de informações turísticas, mantido pelo Poder Público, mas de onde seria prudente ele manter distância, porque ali nas proximidades temos assaltantes que adoram pegar turistas desavisados?

São questionamentos fortes, senhor Presidente, mas que nos permitem elevarmos a nossa reflexão quanto ao turismo que queremos.

A ex-prefeita Luizianne Lins adotou um slogan para a sua gestão, que acabou virando marca, onde ela dizia que o mais importante era cuidar das pessoas. 

Pois bem, para profissionalizarmos o turismo em Fortaleza, vamos ter de mudar radicalmente a forma como recebemos essas pessoas. Vamos ter de enxergar o turista enquanto ser humano. Vamos ter de compreender que se a cidade estiver boa, adequada para receber os visitantes, certamente estará pronta para sua população local.

Me preocupa a visão equivocada de que fazer turismo é apenas priorizar obras milionárias. Em muitos recantos do planeta, o turista sente-se tão acolhido, que prefere ficar ali em contato com a natureza, em lugares até rústicos, mas que sintam-se seguros, contemplados com o atendimento.

Temos de mudar a concepção e o nível de respeito.

Não é escondendo do turista que aquele trecho de praia está impróprio para o banho, que manteremos a fidelidade dessa pessoa para com Fortaleza.

Não é enganando o visitante com preços abusivos, que vamos passar a mensagem certa para o resto do mundo.

Precisamos de uma visão mais arrojada para o turismo. E só vamos conseguir isto com um olhar diferente do que temos hoje.

Eu quero, inclusive, propor ao Prefeito Roberto Cláudio, que possamos criar um batalhão especial da Guarda Municipal, para a segurança de pontos turísticos.

Não devemos mais esperar a boa vontade da Secretaria de Segurança Pública. Eu proponho o fortalecimento da Guarda Municipal, criando um sistema de segurança nosso, da Prefeitura, para que possamos impor o mínimo de respeito. Para que a segurança seja tão grande quanto a própria sensação de segurança.

Uma guarda municipal que possa guardar nossas praças, nossos monumentos, nossa orla.

Que impeça absurdos como a cobrança de pedágio nas praças da cidade, como ocorre em nossas belas praças do Centro, quando a noite cai.

Eu digo isso, senhor Presidente, e já faço um alerta sobre a triste situação da Praça do Ferreira, quando a noite vem. É um grande absurdo. A praça é fechada para o turista e para a população, porque os moradores dali não querem ser incomodados.

Enfim, em pleno ano de 2015, ainda não caiu a ficha das gestões sobre como preparar a cidade para crescer economicamente através do turismo.

Não temos uma campanha publicitária sequer, mostrando a população sobre como deveríamos receber o turista, nada. Nem para isso estamos atentando.
São muitos detalhes. Senhoras e senhores, detalhes que prefiro tratar de forma aberta à jogar a sujeira para debaixo do tapete. 

Uma coisa é certa. Ainda não estamos prontos para o turismo de qualidade. Continuamos contando, portanto, com o acaso.

Mas até quando?

Obrigado, senhor Presidente.

Por enquanto é tudo.